Livre | Pessoa Bonita / Blog
  • Carta para o Alexis

    Data: 29/12/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 1

    O que era para ser um comunicado em duas linhas acabou virando uma carta, um desabafo, um apelo ou uma semente de esperança… Talvez. 

    Bom dia Alexis!

    Ontem enviei a mensagem referida para a tal empresa, hoje liguei novamente e continuo sem retorno, como há vários dias.  Pelo jeito só a partir do próximo dia 03.

    … Essa é uma situação cada vez mais recorrente, e por você estar no topo da juventude e em início de carreira, pode lhe ser útil como aprendizagem.

    Creio que em nenhuma época a expressão “saiu sem abanar o rabo” foi tão pertinente… Retornos que não são dados, promessas e acordos que não são cumpridos, horários e prazos que não são respeitados, incentivos irresponsáveis a sonhos e expectativas que não se concretizam, e por aí vai… Nunca se investiu tanto em tecnologia para a comunicação e apesar da avalanche de aparatos talvez nunca tenhamos nos comunicado tão mal… Um Paradoxo do Nosso Tempo, como alerta o título do seu belo e premiado trabalho.

    O que se ganha com isso? Uma ilusória garantia de leveza fruto do descompromisso, em curto prazo.

    O que se perde? Valores imprescindíveis à sobrevivência emocional, como confiança e respeito, o que se evidencia através de distúrbios manifestados por  irritabilidade, agressividade, insegurança, ansiedade, desânimo, depressão, solidão, desesperança, insônia, transtornos alimentares, dependência química,  desvios de comportamento… Enfim uma longa lista, o Caos do Nosso Tempo.

    Há luz no fim do túnel? Creio que há, pois muito me leva a crer que estamos à beira do insuportável; um limite que nos força a sair da zona de conforto e pensar sobre paradigmas que viabilizem novas formas de coexistir e agir…  Não sei quanto tempo isso levará, muitos anos ainda talvez, pois somos hábeis no tangível e inábeis no intangível. De qualquer modo vale à pena fazer algo desde já.

    O prêmio “Talentos da Publicidade” que você recebeu, concedido pela TV Rio Sul (Globo), mostra-se como um indicador positivo. É um incentivo. Pegue essa referência e continue a desenvolver idéias e intervenções coerentes com o tema. Será sua parcela de contribuição. É o que desejo, é o que espero.

    Naturalmente que tanta inquietude faz com que não se esgote o assunto; e sem que fosse essa a intenção percebo agora que a carta serve como preliminar para a nossa já programada entrevista. Paradoxo do Nosso Tempo… Fui tocada pelo tema.

     Já falou com a TV Rio Sul sobre a possibilidade de liberar o filme? Sem que possa ser visto a entrevista perderá o sentido. É preciso que todos vejam.

        Aguardo o seu retorno.

        Um grande e agradecido abraço,

  • OBRIGADA, SENHORA!

    Data: 17/12/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 2

    Por *Denizi de Paula Oliveira

    No Rio de Janeiro, uma mulher se dirige ao balcão de atendimento de um hospital público. Em seguida, agitada, anda de um lado para o outro. Imobilizada em uma velha cadeira de rodas, sua filha a espera.

    Cansada, para e senta-se ao meu lado. Sem pedir permissão, começa a relatar sua história.

    Há meses agendara uma consulta para essa filha. Moram em Cabo Frio e para chegarem ao hospital saíram de madrugada, viajando de táxi durante horas. Para as despesas, precisaram da ajuda de vizinhos.

    Agora, a secretária lhe informa que não haverá consulta porque a médica e seus assistentes faltaram. Houve um vazamento de água no consultório. Este o motivo alegado.

    Indagou sobre por que não a avisaram. Não houve resposta.

    Enquanto detalha, suas rugas se movimentam como que a desenhar palavras. Atenta, acompanho cuidadosamente cada traçado.

    A indignação imprime-se à sua face. Não se robotizou. Não se conformou. Está viva!

    Faço uma reflexão sobre o seu caso. Faço uma reflexão sobre o descaso. Uma epidemia.

    Os veículos de comunicação falam-nos de estupros, pessoas assassinadas, doentes nos corredores, corrupção, desvios do dinheiro público.

    Falam sobre o de sempre, e que há muito não me interessa saber, atenta que estou ao pilar intangível que sustenta todos os atos:

    A Ética.

    Aquela que está no rosto do outro que me interpela e pede respeito (Levinàs).

    Este é o pilar. Se corroído pelo descaso o que nos resta fazer?

    Naquele momento aflitivo, sem nem mesmo me conhecer, foi a mim que ela escolheu para que fizesse em seu rosto a leitura. Coube-me decifrar seu desabafo.

    Aturdida, apoderei-me da sua história e revi, em minha própria face, o desenho dos meus traços.

    Obrigada, Senhora, por atiçar-me os sentidos. Estou viva!

    É nessa avalanche que sofregamente nos consome, onde lhe deixo um abraço.

    Solidariamente,

    * www.pessoabonita.com.br

  • AMANHÃ

    Data: 11/12/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 4

    Morei ao lado de um menino conhecido como Tequinho. Tinha uns três anos de idade e era frequentador assíduo da nossa casa. Estando na fase das infindáveis indagações, um dia me veio com a seguinte pergunta:

    - Denizi, o que é amanhã?

    Eu sempre muito explicativa, pensei, pensei, e achei ter me saído muito bem com a seguinte resposta:

    - Amanhã Tequinho, você pode entender assim… Acaba o dia, que é hoje, chega à noite você dorme, quando acorda é o amanhã.

    No dia seguinte, ainda cedinho, eis que batem à porta. Fui atender; era ele. Antes do abraço a pergunta inevitável:

    - Denizi, hoje é amanhã?

    Fui pretensiosa Tequinho, reconheço, e fiquei lhe devendo essa… Pois tem coisa que a gente entende somente quando quando a gente cresce. O amanhã é assim… Será?

    É que justamente hoje meu coração muito aflito bateu à porta da razão perguntando como seria o amanhã. Impaciente ela respondeu taxativa: Por que tamanha aflição? O amanhã não existe.

    Ele se afastou constrangido, mas de tanto sentir sem pensar, decerto não entendeu.

    Ah coração! Disse-lhe eu solidária. Compartilhamos dessa inquietude, mas de tanto pensar sem sentir há coisas que a razão desconhece, e às vezes até atrapalha. Só quem pode nos responder é a tal da sabedoria, e não é fácil chegar até ela. Quem sabe um dia? Vamos lá meu amigo, vamos lá!

    Com os pés firmes na estrada e ao som de taquicardias, desejamos a você um ótimo final de semana.

        Sempre cheio de abraços,

     

         * www.pessoabonita.com.br

  • MARILENA

    Data: 30/10/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 2

    O tempo muitas vezes rouba-nos o dom da leitura dos pequenos gestos. No ritmo frenético do dia a dia tudo precisa ser grandioso para que se perceba. Por sorte ou sabedoria, não sei, a maturidade chega e devolve-nos o talento… Um alento.

        Marilena

    Ela é cabeleireira e minha prima, uma das mais queridas. E não importa o esmero que eu tenha em delinear minhas sobrancelhas sempre achará que precisam ser retocadas. Aí pede uma pinça, faz com que recoste a cabeça, e as depila como bem quer. Dessa vez levei um susto quando me olhei no espelho, de tão finas. Pensei que a raiva viria, mas a tempo demovi a idéia. Na depilação, em seu contexto,  leio o gesto de carinho; os pêlos, meros pretextos, rapidamente crescem.

        Bem assim, atenta aos pequenos gestos, desejo a você  uma ótima semana.

        Cheia de carinho,

     

         * www.pessoabonita.com.br

  • AMIGO DE ALUGUEL

    Data: 26/09/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 9

    Envolvida pela intimidade a funcionária, sem perceber, desconsidera as regras do contrato. Atrasa um dia, e outro, e mais outro. Tem pressa de ir embora e distraída desempenha as tarefas com descuido. Diante da irreverência a patroa reage categórica:  Eu não contratei você para ser minha amiga, mas para prestar serviços. Amizade não tem preço.

    Tanta proximidade resultou sim em uma bela e forte amizade, daí a intimidade, mas não é raro que esse elo venha a ofuscar o outro, gerando conflitos às vezes incontornáveis.

    Passa o tempo e a patroa abre uma página da revista Superinteressante, edição 282; um título lhe desperta a atenção:  AMIGO DE ALUGUEL. Percorrendo a matéria se envolve na leitura…

    “Quer tomar uma cerveja comigo hoje? Pago R$ 100,00 mais a conta. É só uma cerveja mesmo, sem segundas intenções. Na boa. É que estou a fim de trocar uma idéia… Pode ser? Se você aceitou, cadastre-se no Rent a Friend. É o primeiro site feito para quem quer vender (ou comprar) serviços de amizade. Scott Rosenbaum, o criador da coisa, explica: A internet oferece várias opções para quem quer encontrar amor ou sexo, mas poucas para quem só quer fazer amigos. Resolvi dar um passo atrás, disse. E quer saber? Está dando certo. A página tem mais de 200 mil amigos de aluguel cadastrados. Uma dúzia no Brasil.”

    Conhecendo a história, fui conferir o site. Está lá, bem configurado, incluindo depoimentos e tabelas de honorários. É a mais pura verdade. O dito criador da coisa simplesmente se apoderou da palavra e comercialmente a explora. Super interessante? Não sei… Mas se estiver mesmo dando certo, e tudo indica que sim, eis aí um fato a ser seriamente considerado: a amizade, que por tão preciosa não tinha preço, nesse contexto passa a ter, e isso me põe em alerta. É que esse bem, ameaçado pelo uso inconseqüente das palavras, pela superficialidade das relações e pela progressiva escassez de tempo, anda perdendo o direito ao nome e, em alguns lugares, transformando-se em algo raro. Amigos não são meros conhecidos, não são simplesmente colegas e não são negociáveis. Amizade é algo que se constrói com todo cuidado e sobrevive da empatia, do desprendimento e da generosidade. Por força da tirania do mercado pode até mudar de nome, mas quem a tem sabe que não se ajusta a tão estreitos limites. Impossível acreditar que um dia amigos serão alugáveis. Amigo que é verdadeiramente amigo dispensa a noção de fatura; faz questão de ser de graça. O que você acha?

        Tenha uma ótima semana!

        Plena de generosidade,

     

         * www.pessoabonita.com.br

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  • Poética Mente

    Data: 06/09/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 2

    Rever o que está guardado compõe um dos meus hábitos. Abro gavetas, abro os armários, revejo prateleiras… Retiro o que me parece excessivo e organizo o que me sobra. Acumular coisas me incomoda.

    Sempre associei o gesto à avidez que me ocupa. É preciso que algum espaço, se possível amplo, esteja vazio e esteja calmo; é possível que começar por fora me pareça fácil. É assim que justifico o hábito.

    Neste final de semana, por assim fazer, pensei bem sobre tudo isso. Talvez porque no ato do desfazer sempre me apareça algo, como o texto abaixo, há anos atrás escrito, que me obriga a refletir sobre as rédeas do meu querer. Ah! As rédeas das nossas vidas… Sobreviverão em sua delicadeza às vorazes, repetitivas e avassaladoras imposições do cotidiano? Já lhe ocorreu também pensar sobre isso?

    Quem sabe…

    “Poética Mente”

    Não quero na vida ser parte do dia a dia.

    Acordar todas as manhãs como se fossem todas.

    Sorrir os mesmos sorrisos, dissimular os mesmos gestos.

    Não quero ser parte de um texto mal redigido, impresso nas longas linhas de um conto de faz de conta.

    Quero ser parte de um poema e se possível o próprio verso.

    Quero no som que ouço ser cada nota; quero ser música.

    Quero ser a cor de todos os tons grudados numa palheta.

    Não quero na vida ser simples parte da vida. Quero ir além dela.

    Pois é assim, retomando as rédeas do meu querer, sacudida pelas lembranças, que lhe desejo uma ótima semana. Poeticamente…

     

     

         * www.pessoabonita.com.br

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  • QUEM DISSE QUE NÃO NASCEMOS COM MANUAL DE INSTRUÇÃO?

    Data: 04/08/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 0

    Refletindo sobre a educação e o tanto que nos parece complexa, me perguntei como é possível que alguém tão atento e cuidadoso, que nos concede um universo tão sofisticado e perfeito, cometa a falha de nos enviar tudo isso, incluindo a nós mesmos, sem um manual de instrução? Parece-me incoerente. Mas se o manual existe, onde estaria? Estou tendendo a concluir que está dentro de nós, e que talvez seja tão simples e claro que sua descrição caberia em poucas linhas, quem sabe numa palavra.

    Nesse enredo do pensar veio-me a ÉTICA como palavra no livro Introdução à Ética Contemporânea do professor e doutor em filosofia, Olinto Pegoraro, onde nos diz, aqui resumidamente, que a ética é objetiva e se origina das relações entre os seres. Somos éticos em relação a alguém, nas relações interpessoais, e não porque obedecemos a normas. E como seres relacionais que somos, porém dotados de razão e de liberdade, precisamos de algo (e a ética seria esse algo) que oriente nossas escolhas e por consequência, nossas ações. Para entender melhor o que seja utiliza a forte expressão de E. Levinàs, filósofo francês, ao dizer que “o apelo ético é o rosto do outro que me interpela e pede reconhecimento e respeito”.  Ampliando essa belíssima definição a ética contemporânea inclui todas as formas de vida, além do ambiente onde se desenvolvem.

    Assim, orientados por ela, é possível identificar seu apelo em cada rosto, em cada ser, como nos sugere Levinàs. Pretensiosamente, a ele eu acrescentaria além do reconhecimento e do respeito, também a gratidão, pois como não agradecer a todos e a tudo o que nos rodeia, oferecendo-nos a oportunidade do aperfeiçoamento através das sucessivas interações, dos sucessivos relacionamentos?

    Não sei, posso estar enganada, mas penso que seja nisso, no pleno exercício dessa simples palavra, que consiste nosso manual de instrução. Só que para acessá-lo é preciso que nos desvencilhemos um pouco das pressões e dos apelos superficiais do cotidiano, pesquisando com calma os preciosos arquivos da nossa consciência. Quem sabe seguindo o que nos diz a gente consiga ampliar nossas margens de acertos.

    Você também já pensou sobre isso?

        Tenha um ótimo dia!

        Abraços,

     

         * www.pessoabonita.com.br

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  • HUMANAMENTE

    Data: 24/07/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 2

     Fico pensando no esforço que às vezes fazemos para compreender, e resolver, certos conflitos que se apresentam. Com o tempo vamos percebendo a inutilidade do gesto.

    Nesse pensar, assim me veio:

    “Algumas coisas não há como ou por que explicar, assim como algumas não há como ou por que entender. Importante mesmo é não complicar “além de”, deixar que aconteçam no ritmo possível de cada um e se construam nos limites do desejo, do tempo, e das possibilidades de cada um. Às vezes as linhas se emparelham; às vezes elas se cruzam, às vezes elas se fundem e às vezes elas se perdem. E não adianta esperar que o simples exercício da razão nos sinalize de imediato sobre o seu posicionamento. Então erramos e acertamos, choramos e sorrimos; como bem cabe aos imprecisos limites do humano no qual me ponho e me entrego, como justamente agora.”

    Humanamente, amorosamente, que seja ótimo o seu final de semana!

        Grande abraço,

     

         * www.pessoabonita.com.br

  • COMER MELECA AUMENTA A INTELIGÊNCIA

    Data: 04/07/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 0

    02 de julho de 2010 e o Brasil deixa a copa do mundo após perder por 2 a 1 na disputa com a Holanda. Tristeza nacional só atenuada no dia seguinte quando a Argentina perde para a Alemanha por 4 a 0. Para nos abster da humilhação não bastava que a Argentina perdesse; e nem poderia ser de três ou de cinco, tinha de ser de quatro; posição estratégica e cheia de simbolismos.

    Entendo ainda pouco de futebol, mas não havia como passar despercebido que os gols resultaram de jogadas muito inteligentes. Falou-se então da qualidade do time ressaltando o equilíbrio emocional como principal responsável pelo brilhantismo.

    Em meio aos múltiplos comentários me lembrei de uma cena, exibida poucos dias antes, em que o técnico alemão introduzia o dedo indicador direito na narina direita, retirava uma meleca, fazia uma bolinha, passava para o polegar e indicador da mão esquerda e… Comia (vídeo no You Tube). Não era um gesto casual; tratava-se, pela precisão na sequência dos movimentos, de uma rotina.

    Com a exibição da cena, não teve como também não me lembrar da Júlia, uma das minhas paixões, netinha por adoção recíproca, que me encanta com sua inteligência, elegância e doçura (tudo isso junto, quem resiste?). Hoje com sete anos, aos quatro achou por bem que era gostoso e divertido, não sei… Comer meleca.

    Depois de forte campanha movida por toda a família; entre constrangimentos, risadas, argumentos médicos, moralistas e conversas olho no olho, ela decidiu parar por si mesma. Tudo indica que foi só uma fase, dessas que todos nós já tivemos.

    Recebo diariamente e-mails do site Bibliomed transmitindo informações atualizadas da área médica. Hoje, confesso, me percebi com certa apreensão. Antes de abrir imaginei a notícia: “Cientistas alemães comprovam que comer meleca regularmente aumenta a inteligência”. Se isso acontecer, sinceramente, será fácil entender o belo desempenho do time alemão. Difícil vai ser a gente se explicar com a Júlia… E estimular o retorno à dieta.

        Tenha uma ótima semana!

        Abraços,

     

         * www.pessoabonita.com.br

  • AH, SOLIDÃO, POR ONDE ANDARÁ DONA UBELINA?

    Data: 18/06/2010 | Categoria: Livre | Comentários: 6

    Sob o sol brilhante, e usando um grande chapéu preto; tão exótica, quanto o próprio nome, um dia ela se pôs à nossa frente com o firme propósito de ter companhia, ainda que por instantes.

    Vinda de Portugal, cedo chegou ao Brasil, onde construiu família e manteve os costumes de origem, além do forte sotaque.

    Filhos crescidos, e bem sucedidos, cada qual traçou o seu rumo, espalhando-se por aí.

    Não sabia ler nem escrever, mas nasceu poeta; faltava-lhe noção da riqueza, produto dessa mistura.

    Ela dita poesias… Alguém generoso, gentilmente as escreve… Ela, ingenuamente, confia.

    No convite para um café, nos pôs em sua casa imensa, intensa, tal qual reprodução de si mesma.

    Tinha pressa de agradar, urgência de interagir. Eu tinha pressa de ouvir.

    – Às vezes me sinto tão sozinha, que abro todas as portas e janelas na esperança de que entre alguém, nem que seja um ladrão, pra me fazer companhia.

    De tudo o que nos dizia, dessa frase jamais esqueci.

    Foi assim, desse jeito e nesse cenário, que um dia nos conhecemos.

    Na delicadeza dos seus gestos e em mais uma, das múltiplas e capciosas faces, em que a solidão se apresenta.

    Ah, solidão, por onde andará Dona Ubelina?

    Se alguém souber, por favor, me diga! Quem sabe apresento você aos seus versos?

    Aguardo notícias!

    Esperançosamente,

    * www.pessoabonita.com.br

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