ÔĽŅ Entrevistas | Pessoa Bonita / Blog
  • Domicio de Paula… Colando sobre Papel

    Data: 18/11/2017 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 2

    Prazer ter voc√™ aqui, refor√ßando as horas agrad√°veis compartilhadas no Caf√© ComPaix√£o. Vamos come√ßar pelo nome dado √† exposi√ß√£o: Por que ‚ÄúCOR, PARA QUE TE QUERO?‚ÄĚ?

    Quando me perguntaram sobre o nome, n√£o racionalizei a respeito. Foi a primeira frase que me veio… O que senti vontade de pronunciar.

    Há 29 anos você é portador da Síndrome de Parkinson, e sabemos o quanto ela compromete os movimentos. Isso interfere na sua produção?

    N√£o, n√£o interfere. Consigo me adequar, me ausentar das dificuldades. Quando estou envolvido com o meu trabalho ele se sobrep√Ķe ao Parkinson, toda a minha energia √© direcionada a ele.

    E que horizontes essa mesma síndrome abre para essa produção?

    Se pensarmos que ao criar imagens mais alegres, visando apenas clarear um pouco mais as nossas vidas, com certeza já estaremos contribuindo para o nosso crescimento e bem estar. Eu diria que agora os meus horizontes não estão tão estreitos e distantes como me pareciam, sinto-os bem mais amplos e próximos.

    Como se expressa sua produção?

    Surge a inspira√ß√£o inesperadamente, como manifesta√ß√£o totalmente espont√Ęnea. O processo criativo s√≥ se afasta quando termino um trabalho.

    E de onde vem sua inspiração?

    Como disse anteriormente, ela surge de maneira inesperada, e a partir daí se expressa imediatamente sobre o objeto, sem planejamento ou qualquer esboço.

    Que materiais você utiliza?

    Usualmente, até então, papel-cartão, papel de seda, vinil autocolante, cola branca, estilete, tesoura e caneta hidrográfica.

    Você é membro ativo da APPEMA, Associação de Portadores de Parkinson. Em que medida esse engajamento influencia sua produtividade?

    Com certeza a APPEMA é, atualmente, a principal fonte de energia da minha vida; é uma extensão da minha família. Minha existência passou a ter mais sentido ao me incorporar a ela.

    Voc√™ tamb√©m participa de um Projeto Parkinson, implantado pelo Centro Universit√°rio U.B.M., onde, por meio de a√ß√Ķes interdisciplinares, busca-se ampliar a qualidade de vida dos portadores dessa s√≠ndrome. O que nos diria sobre essa experi√™ncia?

    Esse projeto foi elaborado por pessoas que realmente t√™m interesse em aprofundar conhecimentos sobre o assunto. √Č uma equipe claramente comprometida e envolvida com o que faz. A U.B.M., por meio de seus professores e alunos, tem nos ajudado a minimizar nossas dificuldades, melhorando substancialmente a nossa qualidade de vida. A eles s√≥ temos agradecimentos.

    Vendo de perto o seu trabalho e o ambiente em que é construído, fica fácil compreender o título da exposição. Nossa gratidão por estar com a gente, Domício.

    Eu tamb√©m agrade√ßo muito pela oportunidade, n√£o apenas de expor meus trabalhos, mas tamb√©m de falar um pouco sobre a APPEMA e o PROJETO PARKINSON U.B.M., iniciativas que, pela seriedade e import√Ęncia, merecem ser destacadas, pois precisam inspirar e envolver mais pessoas.

    Conheça os trabalhos visitando: http://www.pessoabonita.com.br/artista.php?id=85&tipo=2

    Autoria da Foto:

  • Entrevistando Ana Cristina Maciel

    Data: 17/03/2016 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 0

    Obrigada, Ana Cristina, por aceitar o nosso convite e nos prestigiar com os seus belos trabalhos.

    Quando e como você iniciou sua trajetória nas artes plásticas? Quais foram os fatores determinantes e as suas principais influências?

    O Pessoa Bonita me parece um espaço muito bacana e democrático de divulgação artística, obrigada pelo convite!

    Eu considero o início a partir dos meus 15 anos, mas desde pequena me sentava ao lado do meu irmão mais velho para desenhar. A mesa em que a minha mãe pintava seus vidros, quadros, e que vivia cheia de marca de tinta, sempre me fascinou. Aos 15 comecei a perceber que dedicava mais tempo a criar do que a qualquer outra coisa, e minha paixão era o teatro. Através dele surgiram os bonecos, que eu mesmo fazia, e o papel machê entrou de vez na minha vida. Expressam brasilidade, pois sempre admirei a cultura popular brasileira, com suas cores e sua capacidade de improvisação.

    Quem chegou primeiro, a artista ou a pedagoga?

    A artista, sem d√ļvida! Escolhi a pedagogia por j√° atuar como arte-educadora em projetos; foi uma escolha intencional para que me auxiliasse nas oficinas.

    Em que sua experiência como artista influencia sua atuação como pedagoga, e em que sua experiência como pedagoga influencia sua atuação como artista?

    Eu sempre me envolvo em projetos de arte-educa√ß√£o, portanto ambos t√™m uma import√Ęncia muito grande e um permanentemente complementa o outro.

    O que mais lhe encanta, os traços, as cores e/ou as formas?

    Inicialmente as cores me motivavam mais que tudo, hoje percebo que meu processo valoriza mais os tra√ßos e as formas… Mas as cores exigem o seu retorno e eu me pego novamente encantada por elas… O processo √© dial√©tico.

    Fale um pouco sobre suas oficinas de arte… Finalidade, p√ļblico alvo, n√ļmero de participantes, faixa et√°ria, etc.

    Eu me envolvi em diversos projetos de arte para p√ļblicos diversos e com uma variedade de parceiros. Atualmente me dedico mais ao meu atelier e √† minha produ√ß√£o, mas pretendendo abrir as portas oficinas de viv√™ncias e cursos.

    Que contribui√ß√Ķes a arte oferece ao modelo educativo atual?

    A arte sempre contribui, mas a maneira como √© exposta por vezes pode n√£o abranger a sua incr√≠vel potencialidade. Ela deve romper barreiras, padr√Ķes, conceitos, mexer, chacoalhar, fazer com que os nossos olhos alcancem at√© o que n√£o pode ser visto, e isso √© preciso constar no curr√≠culo.

    Que elementos voc√™ utiliza na t√©cnica de papel mach√™ e que sugest√Ķes daria a quem quer aprender sobre ela?

    Eu sempre levantei a bandeira para a reutiliza√ß√£o de materiais, e na minha t√©cnica reaproveito muitas coisas para transformar em outras. Desde o papel at√© as estruturas das esculturas, surgem de materiais que eu mesma coleto, a partir do meu consumo no dia a dia. Aprendo at√© hoje. A dica √© fazer, experimentar, tentar de novo… S√≥ a experi√™ncia de colocar a m√£o literalmente na massa √© que nos faz dominar a t√©cnica, que √© aprimorada a cada tentativa, erro, acerto…

    Que elementos costuma utilizar na técnica mista?

    Eu a utilizo muito nos desenhos, misturando colagens, tinta e nanquim. Eu gosto de inventar, de unir materiais, e toda vez que inserimos mais de um elemento no desenho, denominamos de técnica mista.

    Mulheres faceiras, alegres e coloridas, s√£o muito retratadas em suas obras. Elas s√£o reais ou foram inventadas?

    Elas fazem parte do imagin√°rio, mas com certeza algumas caracter√≠sticas, mesmo que inconscientes, s√£o retiradas de observa√ß√Ķes. Eu sou otimista quando retrato os personagens, mas sou um pouco pessimista na vida real. Rss. Acho que o mundo e seus conceitos caminham para um colapso e retratar mulheres coloridas, meigas, alegres, me faz acreditar, mesmo que por um instante, em um mundo menos cruel.

    Do que falam as suas obras e onde podemos encontra-las?

    As minhas obras falam o que penso ser o que as pessoas querem ler. Acho fundamental as diversas interpreta√ß√Ķes despertadas por uma mesma obra, isso me fascina! Para mim elas falam de esperan√ßa, meio ambiente, respeito, pequenas alucina√ß√Ķes, sonhos, flores e f√©.

    E quem quiser conhecer mais é só visitar o meu site: http://anacristinamaciel.com/ ou a minha página no facebook: https://www.facebook.com/anacrispapelmache

    Obrigada e parabéns pelo belo trabalho, Ana Cristina! Um grande prazer ter você na nossa Galeria de Arte: http://www.pessoabonita.com.br/artista.php?id=78&tipo=2

  • Sidney Gaspar: m√©dico e fot√≥grafo

    Data: 23/03/2015 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 6

    Sidney Gaspar é médico, especialista em psiquiatria e fotógrafo autodidata. Nasceu em Itapetininga, São Paulo, em 03/11/1955. Atualmente, mora em Santos, SP.

    Em entrevista, com uma fluência própria de quem transformou em unidade ambas as tarefas, ele nos conta um pouco sobre o seu trajeto:

    Obrigada, Sidney, por aceitar o nosso convite e estar aqui, no site, expondo os seus belos trabalhos. Como e quando teve início o seu interesse pela fotografia?

    Obrigado, Denizi, por prestigiar essa parte lazer e prazer da minha vida. Esta é a primeira vez que exponho em uma galeria de arte virtual; obrigado pela oportunidade!

    O meu interesse por fotografia vem desde o in√≠cio da adolesc√™ncia; meu pai tinha uma Kodak com fole e eu gostava de olhar pelo ret√Ęngulo que servia para definir a composi√ß√£o das imagens.

    Aos 12 anos voc√™ tirou sua primeira foto. Em que circunst√Ęncia isso ocorreu? Voc√™ tem essa foto?

    Durante uma visita ao parque Fernando Costa, em São Paulo, eu pedi ao meu pai para tirar uma foto onde apareciam ele, minha mãe e meu irmão. Essa foto está num álbum da minha mãe e, por ser a primeira, me parece boa. E agora, também em exposição na http://www.pessoabonita.com.br/artista.php?id=77&tipo=2

    De onde vêm as suas influências? Qual a sua principal fonte inspiradora?

    A natureza e a arquitetura. Durante muitos anos eu evitava fotografar pessoas; de tempos para c√° n√£o fa√ßo mais isso. Sempre gostei de fotografias com muita cor ou muito contraste e admiro alguns fot√≥grafos como os santistas Ernesto Papa, Tadeu Nascimento e Araqu√©m Alc√Ęntara, o argentino Alejandro Chaskielberg e o americano Bryan Peterson, entre outros.

    Em que ponto o seu olhar médico, influenciado pela psiquiatria, converge para a experiência fotográfica?

    Creio que no detalhe, fundamental na medicina e na fotografia. Como psiquiatra, me acostumei a ver os detalhes do drama humano, como cada detalhe tem um sentido e como esses sentidos, assim como a fotografia, representam um momento onde um receptor (uma c√Ęmera ou uma pessoa) captam uma cena, uma informa√ß√£o ou uma imagem.

    Como se ajustam a psiquiatria e a fotografia no seu cotidiano?

    A psiquiatria me consome muito tempo, mas para qualquer lugar que eu vá eu levo meu equipamento fotográfico; costumo dizer que sou um fotógrafo acidental, passo por cenas e muitas vezes consigo fotografá-las ; não tenho muito tempo para preparar uma situação fotográfica, raras vezes faço isso.

    Numa √©poca em que o valor dos objetos tende a superar os valores humanos, o que os “detalhes” do seu olhar t√™m a nos dizer?

    Sim, vivemos uma √©poca em que nos sensibilizamos pouco pelo¬†drama humano,¬†e creio¬†que passamos¬†por um dos momentos em que isto se tornou gigantesco.¬†Estamos mais frios, utilizando muita tecnologia na comunica√ß√£o, mas n√£o conseguindo escapar dos grandes dilema, como o medo da solid√£o, da morte, de n√£o realizarmos os nossos sonhos, de n√£o sermos livres ou felizes. Escuto essa dor todos os dias, tentando mostrar, aos meus pacientes, que a possibilidade do belo, da felicidade, pode vir das coisas simples, como um olhar para um p√īr de sol. ou um caminhar por uma praia; mas tamb√©m procuro mostrar que essa possibilidade precisa vir acompanhada de outros humanos, pois para dar sentido √†s nossas buscas, precisamos ser vistos, sentidos, curtidos, assim como precisamos ver, sentir e curtir o outro, o mundo que nos cerca, com todas as suas nuances. Creio que minha fotografia expressa um pouco isso; o belo em seu sentido mais amplo, que est√° em toda parte, nos detalhes mais simples, que precisam ser percebidos, melhor vistos e aproveitados”.

    Para finalizar, uma pergunta enviada pelo fot√≥grafo Ant√īnio Jos√© Moura CALINO: “A qualidade das suas fotos √© excelente. Voc√™ fez algum curso de aprimoramento em qualidade de imagem, tipo photoshop, lightroom ou HDR?”

    Calino, eu sou absolutamente um autodidata que aprendeu a fotografar na pr√°tica, lendo revistas especializadas, sites de fot√≥grafos, vendo detalhes nas fotos daqueles que vivem dessa arte, como voc√™. √Č muita tentativa e erro. De uns anos para c√°, tenho equipamento e lentes melhores, o que ajuda na qualidade. S√≥ sei trabalhar com alguma desenvoltura no lightroom; aprendi vendo tutoriais na internet. No photoshop, eu n√£o consigo fazer nada. Mas espero aprender a us√°-lo, pois creio ser √ļtil na p√≥s-produ√ß√£o. Quanto ao HDR, eu programo a m√°quina dessa forma e bato algumas fotos. Dessas fotos na exposi√ß√£o, tem duas em HDR (um por do sol em Sagres e o Porto durante o dia). Gostaria muito de fazer um workshop com o Araqu√©m Alc√Ęntara e aprender um pouco mais de composi√ß√£o e tamb√©m algo sobre a p√≥s-produ√ß√£o.

    Obrigada, Sidney, mais uma vez, por nos enriquecer com o seu conjunto de obras e suas reflex√Ķes t√£o sens√≠veis.

    Visite a exposição! http://www.pessoabonita.com.br/artista.php?id=77&tipo=2

  • Carlos Henrique Baiano: M√ļsico e Compositor

    Data: 18/08/2011 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 0

    Convidado para uma exposição dos seus trabalhos na Galeria de Arte do site, Carlos Henrique Machado Freitas (Baiano) nos recebeu com a generosidade própria de quem forja a maturidade com qualidade; humanamente, tenazmente, sem estrelismo.

    Nascido na cidade de Volta Redonda, Estado do Rio de Janeiro, Brasil, e reconhecido por grandes talentos da m√ļsica e do jornalismo, tanto¬†aqui, quanto no exterior, √© considerado um dos mais brilhantes artistas contempor√Ęneos; um dos melhores compositores de choro da atualidade.

    Em Vale dos Tambores, premiado √°lbum duplo, vencedor do Pr√™mio Rival Petrobr√°s de M√ļsica em 2005, privilegia nossa regi√£o, Vale do Para√≠ba, por perceb√™-la como uma das mais musicais do Brasil.¬†

    Nesta entrevista, você terá a oportunidade de saber um pouco mais sobre ele. Leia! 

       Obrigada por estar aqui, Carlos Henrique!  

    Um especial agradecimento  também à Celeste, sempre muito    gentil e eficaz como mediadora dos nossos contatos.

    Você nasceu e cresceu dentro de um ambiente musical. Fale-nos um pouco sobre essa experiência. 

    Os di√°logos entre gera√ß√Ķes, dentro da fam√≠lia, mapeiam uma tend√™ncia terna. Nesses encontros, o fator afetivo tem um tratamento que vai possibilitar, junto com outros fatores da vida, que a realiza√ß√£o de nossos objetivos puxe pelas a√ß√Ķes e, consequentemente, nossas reflex√Ķes acabam por expressar nosso pr√≥prio ambiente. Mas, √© fundamental que se diga que este n√£o √© um caminho premiado.

    A viabiliza√ß√£o da arte est√°, sobretudo, na possibilidade de di√°logos que, ao longo da vida, nossas necessidades reivindicam, para destinarmos o nosso poder de cria√ß√£o e destacarmos os par√Ęmetros que elaboramos em nosso inconsciente.¬†

    ¬†Com que idade, e em que circunst√Ęncias, houve sua inicia√ß√£o no exerc√≠cio da m√ļsica?¬†

    Comumente utilizamos a nossa hist√≥ria como um processo simb√≥lico; esse arsenal passa a ser muito mais do nosso imagin√°rio do que algo que, de fato, estabele√ßa uma determinada data. Surge ent√£o, como s√≠ntese, entre a experi√™ncia e a expectativa, um ponto vital que acreditamos ser a receita do primeiro p√£o. Mesmo assim, carecemos de uma identidade, como protagonistas, onde nossas pr√°ticas traduzam os sintomas de nossas assinaturas; por isso √© dif√≠cil precisar datas dentro desse contexto. A intui√ß√£o √© algo diverso no espa√ßo geogr√°fico da cria√ß√£o. O esfor√ßo √© um instrumento que define um determinado momento-chave de nossas motiva√ß√Ķes.

    O meu in√≠cio propriamente dito na m√ļsica aconteceu l√° pelos meus 16 anos, quando¬†ingressei em um grupo musical e pude, atrav√©s de um compromisso, dar a minha contribui√ß√£o, mesmo limitada.¬†¬†

     Quais as principais influências que recebeu?  

    ¬†Esta √© a maior das rasteiras que o cosmopolitismo pode nos dar. Adotar uma caracter√≠stica, dentro de uma constela√ß√£o de fatos, √© uma teoria quase ficcional. A diversidade √© algo muito mais presente, e exerce muito mais press√£o em nossos conte√ļdos e express√Ķes do que imaginamos, mesmo considerando que criamos uma coura√ßa de prote√ß√£o para a busca de uma identidade diferenciada.

    O que devemos sempre lembrar, √© que o poder e os meios de comunica√ß√£o n√£o nos deixam alterar tanto o dilema entre a arte dentro do fator humano, e as maneiras distintas daqueles que atribuem √† arte vida pr√≥pria. N√£o tenho essa forma√ß√£o celebralista. Tudo o que fa√ßo depende de um conjunto de emo√ß√Ķes. Por isso, n√£o acredito em locais privilegiados, mesmo para aqueles que desejam estudar e tentar entender a nascente de seus conceitos e suas influ√™ncias. Isto sempre nos joga numa trai√ßoeira arapuca.

    Prefiro sempre a vig√™ncia do meu conv√™nio com a sociedade, para que ela me d√™ essa janela que promove uma articula√ß√£o mais garantida do meu espa√ßo, de acordo com as minhas realidades. No geral, as influ√™ncias s√£o alimentadas por uma determinada linha adicionada, sem sombra de d√ļvida, por um macro-sistema que habita o nosso cosmos. Demorei um bom tempo para entender isso, e parar de me concentrar somente no meu instrumento ou na pr√≥pria arte como fator cultural.¬†

     De onde vem tanta, e tão rica, inspiração? 

    ¬†N√£o sei se sou t√£o inspirado assim, mas gosto muito dos n√ļmeros menores, dos detalhes que nos revelam segredos preciosos que est√£o conosco, mas que s√≥ s√£o acionados quando estimulados. Acho que, na defesa, somos obrigados, sob os ataques das imposi√ß√Ķes, a ter uma no√ß√£o mais ampla de espa√ßo. E como a cultura no Brasil n√£o vem da tradi√ß√£o dos gr√™mios, das institui√ß√Ķes conservadoras, n√≥s terminamos por criar, com amadorismo e improviso, o nosso espa√ßo. E como ele n√£o √© permanente, porque n√£o √© institucional, tra√ßamos uma perspectiva que cria, entre n√≥s mesmos, conflitos e disputas entre o que pensamos ontem e o que pensamos hoje. √Č da lei da sobreviv√™ncia. Funciona como um desafio di√°rio.

    Como √© ter a m√ļsica como of√≠cio? Quais os principais obst√°culos encontrados? Quais as principais conquistas?

     A arte de maneira geral, como ofício, não se consolidou em lugar nenhum no mundo; ela depende sempre de iniciativas de outros setores para que se concretize. Se Bach fez a opção de compor para os reis, e Beethoven para o povo, com certeza nenhum dos dois procurava envolvimento com a cidadania. Ambos buscavam contrastes de força, mas não deixava de ser uma forma de dependência institucional.

    A arte n√£o √© necessariamente um of√≠cio, esta √© a vis√£o mais complicada que a nossa profiss√£o delata, sobre a semelhan√ßa da arte com a fisionomia do setor produtivo. A arte atravessa as quest√Ķes em v√°rios per√≠odos e povos; n√£o como in√ļtil ou pueril, mas como a pr√≥pria express√£o do olhar de uma sociedade. √Č a √ļnica capaz de dar fisionomia a determinado ideal de uma tribo, de uma cidade, de um estado, e de um pa√≠s. E essa harmonia √≠ntima n√£o morre.

    O tempo vai passando e, mais do que a experi√™ncia incubada, nos tornamos patriarcas e at√© conselheiros, contudo, n√£o h√° um glorioso universo que nos console a um grau de acentua√ß√£o tal que n√£o acabe zombando do nosso pr√≥prio ovo. Infelizmente o nosso figurino de sucesso √© decalcado da ordem industrial, pior, dos chiques diretores est√©ticos que, dentro de seus anacronismos, tentam nos jogar na soberba, que nos deixa c√īmicos.

    A arte n√£o √© um substrato mental. A paspalhice que agora compramos, muitas vezes em acentuado grau, sofrer√° um baita repuxo, justamente porque a forma de construir os m√©ritos n√£o ter√° um √ļnico canal. Felizmente o batismo se dar√° para todos, no you tube, nas redes sociais, enfim, em tudo com que as tecnologias nos brindam; assim, logicamente, os valores absolutos ser√£o determinados agora por todos, e n√£o restritos, por exemplo, √† figura de um marchand ou de um mega produtor.¬†

    Que fatores você considera fundamentais para a elaboração e finalização de uma boa obra?

    Acho que estar integrado em nossa própria dimensão e personalidade, em prol de uma boa guerra, pode ser um caminho; mas também acho que qualquer um pode se sentir contrariado com a minha forma de encontrar determinada cintura para criar um determinado ideal artístico.

    A cultura berra todos os dias formas e moldes. Uns realizam bobagens, vestem o coturno da moda e enfiam o pé no cimento da modernidade da vez, e ali se transformam num composto de alheios, produzindo uma grotesca inutilidade absoluta. 

    √Č bom que se diga em alto e bom som que as pinacotecas n√£o s√£o incubadoras de g√™nios, por isso a fei√ß√£o dominante de determinada caracter√≠stica, dentro da nossa pr√≥pria trajet√≥ria, n√£o pode sentar na cadeira dos louvores passados, pois assim assinamos caricaturas de n√≥s mesmos. Uma esp√©cie de tara narcisista que nos joga num fosso muitas vezes sem volta.

    Por isso, dou linha √†s manivelas dentro da minha engenhoca, procurando me envolver naquelas primaveras que riscam o nosso cotidiano. N√£o h√° uma marca que raiou com a maravilha do nosso nascimento. Acho que, a todo momento, podemos seguir uma picada rec√©m-aberta para avan√ßar sem sermos segregados por nossos pr√≥prios dem√īnios. Por isso, na cria√ß√£o, os sert√Ķes, a meu ver, continuam desconhecidos.¬†¬†¬†

    A crítica especializada não economiza elogios ao seu trabalho. Como se deu o processo de conquista desse reconhecimento?  

    Na verdade, não temos uma crítica especializada e, por isso, talvez a falsificação da entidade brasileira tenha caminhado tanto de forma levianamente sistematizada.

    Acho que o meu trabalho ganhou import√Ęncia porque coincide com a nossa necessidade de redescoberta. Naturalmente demoramos um tempo para entender isso. O ci√ļme que t√≠nhamos do nosso pr√≥prio produto acabou por nos colocar num exotismo individualista, a ponto de admitirmos apenas o sucesso do artista; mas, ao contr√°rio, a obra que vai muito al√©m de n√≥s, √© que ganhou o mundo. A nossa import√Ęncia est√° limitada √† condi√ß√£o de defensores desse patrim√īnio e, talvez, a grandeza dele tenha impulsionado as pessoas a escutarem a minha m√ļsica com a mesma sensa√ß√£o. Assimilar tudo isso n√£o √© tarefa f√°cil, pois somos sempre obrigados a pensar que cada frase, e cada passo que damos, √© um prod√≠gio vasto da nossa pr√≥pria atua√ß√£o, quando na realidade n√≥s somente participamos das coisas, evidentemente que com a patente de criador, o que se torna ainda mais perigoso.¬†

    Como é, também, ver o seu trabalho reconhecido fora do país, mais especificamente no Japão?  

    Acho que, pelo afastamento, n√≥s praticamente aceitamos mais a frase estrangeira que nos elogia, do que a brasileira que nos confunde com outras formas de express√£o. √Č muito dif√≠cil empregar um sentido quando ultrapassamos as fronteiras nacionais e produzimos uma concep√ß√£o em outros pa√≠ses; logicamente eles enxergam tudo isso com outros sentidos. Se olharmos este meu trabalho como g√™nero, de maneira meramente convencional, podemos dizer que alcan√ßamos a escala m√°xima desencadeada por uma obra. Mas acho bem melhor aceitarmos a nossa limita√ß√£o, pois a realidade tem crit√©rios bastante avessos √† vis√£o superposta, que aparece mais como uma inven√ß√£o individual do que uma forma geral assumida pelo universo de determinado artista.

    Temos sempre que pensar nos processos, no que concebe ganhar ou perder no nosso dia-a-dia e, neste caso, todo o sucesso estrangeiro acaba caindo mais na abstra√ß√£o do que na nossa incontest√°vel realidade. O sucesso fora, praticamente n√£o cria altera√ß√Ķes consistentes no sentido de mudar certos aspectos da nossa ret√≥rica cotidiana.¬†

    ¬†‚ÄúChoro Brasileiro‚ÄĚ… √Č poss√≠vel definir?¬†

    Esta tem sido a temática mais empregada em minhas falas, pois o choro brasileiro, se virmos com profundidade, que nem é inédita, não se limita às melodias populares brasileiras que são tocadas em alguns dias da semana como forma de dialogar com outras tonalidades mais ou menos modernizantes. Gosto de saber de todo o nosso processo herdado, o que, a meu ver, está na infinita maioria dos nossos documentos artísticos. Isso transcende o som e sua simultaneidade. Acho que cada povo tem sua característica, e dentro desses elementos vitais é concebida uma peça, um parecer artístico, que justifica um sentimento possível de se harmonizar com a aura desse povo. O choro, pra mim, é isso, ponto central de nossa alma. 

    A princípio, quando eu dizia isso, muita gente torcia o nariz e me olhava com estranheza, mas como tento sempre demonstrar as fontes dos meus pensamentos, hoje vejo que esse pensamento, entusiasma; principalmente quem não se mantém preso aos processos de uma oratória exclusiva do choro como uma manifestação musical. Conforme eu disse, o conceito choro brasileiro é o mesmo que define todos os traços, falas e sons dos nossos pontos de vista; que dão sentido à nossa arte no geral, logicamente de forma inconsciente.   

    Quem gosta e quem não gosta de choro? 

    N√£o sei quem n√£o gosta. Creio que podemos dizer que tem muita gente no Brasil com a cabe√ßa t√£o colonizada que n√£o permite a possibilidade de depender de seus pr√≥prios sentimentos. Acredito que, quanto mais livres os movimentos do homem brasileiro mais o remelexo corporal do choro transforma o mesmo em um dan√ßarino em suas acentua√ß√Ķes.¬†

    √Č muito comum encontrar pessoas que, quando jovem, era balizado pela m√ļsica estrangeira e, hoje, mais livre dessa verruga, admite uma emo√ß√£o profunda com os processos encontrados na alma do choro.¬†

    Já quem gosta de forma voluntária, costuma cair numa teorização excêntrica em que só acredita na pureza de determinada essência e, claro, a eleita por ele. 

    Como foi, e tem sido, a sua experiência na formação de grupos de choro? 

    Participei de muitos, entre todos o que mais trouxe diferença, como compositor, foi o Vera Cruz. Porém, como instrumentista, na década de 70, foi o Cinco no Choro. Na verdade, cada grupo tem a sua musicalidade e suas próprias fantasias. Num momento buscamos a virtuosidade pura. Em outros, uma cantiga mais amadurecida, desenvolvida por um elemento fornecido pelo nosso amadurecimento. 

    Al√©m de excelente m√ļsico e compositor, voc√™ √© um dedicado pesquisador. Quando iniciou o seu interesse pela pesquisa e como ela influencia o seu processo criativo?¬†

    Aproveito essa grande oportunidade para esclarecer que n√£o sou um pesquisador daqueles que seguem o compasso de uma pesquisa cient√≠fica. Estou mais para um catador de elementos e um contador de determinadas acentua√ß√Ķes para tecer determinadas teorias. Gosto destas subdivis√Ķes inventadas pela sociedade, mas afirmo que n√£o tenho instrumentos que signifiquem o expressivo conceito de pesquisador. Quem o faz de forma maravilhosa, aqui em casa, √© a Aressa Egly Rios da Silveira¬†(filha e realizadora do projeto) que acompanha cada movimento at√© a sua fadiga, para tecer uma perfeita tese com elementos cient√≠ficos capazes de expressar aquelas s√≠labas que s√≥ os pesquisadores, como M√°rio de Andrade, conseguem traduzir.¬†

    Na verdade, mesmo acentuando algumas caracter√≠sticas ap√≥s a nossa investiga√ß√£o, minha e da Celeste Alves da Silveira¬†(produtora e coordenadora geral do projeto), n√£o posso desprezar os sentidos que se agu√ßaram na minha m√ļsica. Por√©m, n√≥s fomos atr√°s dessa fonte de riqueza em que falamos no Vale dos Tambores, muito mais para assumirmos que a nossa cria√ß√£o tinha essa ancestralidade.¬†

    Algum novo trabalho em andamento? Fale-nos um pouco sobre ele. 

    Sim, e n√£o √© algo ocasional. Estamos trabalhando neste projeto, creio que desde logo ap√≥s o lan√ßamento do Vale dos Tambores. Acho importante acentuar isso, j√° que vivemos hoje t√£o restritos √†s manifesta√ß√Ķes de final de semana, quando muito, com a formata√ß√£o imposta pela gest√£o corporativa de cultura, que √© um verdadeiro desastre para um pa√≠s.

    Esse sistema que nos foi imposto goela abaixo, se confunde com a mesma forma de enterrar a cultura, seja ela feita por funda√ß√Ķes, institutos, sistema ‚ÄúS‚ÄĚ, secretarias municipais e estaduais e, por fim, a Lei Rouanet e, agora, o pr√≥prio Minist√©rio da Cultura, com a farda de gala vestida pela Ministra Ana de Hollanda.¬†

    Deixando isso claro, sigo dizendo que estamos buscando neste trabalho outros timbres, aparentemente mais discretos, mas quero testar outras portas que estavam secretas dentro de mim. O projeto se chamar√° ‚ÄúTem Muito Arroz Neste Pil√£o‚ÄĚ, logicamente que, a bordo, buscaremos os ventos andradinos para fazer as pessoas esticarem os olhos al√©m da poltrona de um √ļnico dia de lan√ßamento. Mas vamos atravessar esse oceano, pois ainda temos um longo peda√ßo para ganhar o mundo. Neste momento, para a prefeitura da minha cidade de origem, por exemplo, n√£o encontro receptividade ao que artisticamente produzo, portanto, diante de tal indiferen√ßa, s√≥ nos resta aplicar o conceito do girassol e fazer nosso jardim suspenso buscando a luz em outra forma de financiamento.¬†

    E para finalizar, Carlos Henrique… Por que o Bandolim?¬†

    N√£o vou me alongar tanto aqui. Objetivamente posso lhe dizer que o bandolim faz parte de uma fam√≠lia de outras tentativas de instrumento de cordas. Comecei com o viol√£o, passei aos poucos para o cavaquinho e, mais √† frente, com tranq√ľilidade, o bandolim foi me seduzindo. Foi uma gravidez sem traumas, pois o pr√≥prio grupo do qual eu fazia parte, me incentivava a encaixar no meio da turma os sons vestidos pelo bandolim.

    * Ou√ßa a bel√≠ssima¬†exposi√ß√£o de m√ļsicas¬†do √°lbum,¬†clicando na Galeria de Arte do ¬†www.pessoabonita.com.br

  • TOMMY & CIA – ARTE EM GRAFFITI

    Data: 13/06/2011 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 1

      

     

     

     

     

     

    GRAFITE √© uma palavra de origem italiana e traduz uma arte que se expressa desde o imp√©rio romano como inscri√ß√Ķes caligrafadas ou desenhos pintados ou gravados sobre uma superf√≠cie de parede ou similar.

    Inclu√≠da no √Ęmbito das artes visuais, mais especificamente arte urbana, manifesta-se predominantemente nos espa√ßos urbanos, interferindo intencionalmente na imagem das cidades.

    Tanto no Brasil quanto em outros pa√≠ses frequentemente √© confundida com picha√ß√£o, o que gera grandes controv√©rsias, j√° que esta tende a ser vista como vandalismo e contraven√ß√£o, sendo aplicada como escritos ou rabiscos em superf√≠cies como paredes, muros, ch√£o e monumentos p√ļblicos, com frases de protesto, insultos, declara√ß√Ķes de amor, assinaturas pessoais, ou simplesmente demarcando territ√≥rios entre grupos, utilizando tintas em spray ou em rolo, de dif√≠cil remo√ß√£o.

    Em alguns idiomas a palavra graffiti designa os dois tipos de manifesta√ß√Ķes, o que favorece a d√ļvida e alimenta a controv√©rsia. (Fonte: Wikip√©dia)

     Hoje inauguramos na nossa Galeria de Arte a exposição das obras em grafite do artista TOMMY (Roberto Teixeira Ribeiro Junior), de Volta Redonda, cidade do Estado do Rio de Janeiro, algumas em co-autoria com os artista  Rfire, Tura, End, Dejah, Break e Kajaman. Na entrevista abaixo ele nos falará um pouco sobre o seu trajeto, ajudando-nos a compreender melhor essa bonita, peculiar e ousada forma de expressão. Leia!

    √Č um grande prazer estar com voc√™ aqui, Tommy, e poder exibir esses belos trabalhos. Quando e como foi despertado em voc√™ o interesse pelo grafite?

    O meu contato com o grafite foi despertado a partir da viv√™ncia com outras pr√°ticas art√≠sticas, como pintura e artesanato. Na √©poca do colegial¬†experimentei o spray praticando algumas picha√ß√Ķes, e¬†o apego a esse material foi surpreendente, o que me levou a buscar mais informa√ß√Ķes e conhecimento sobre o assunto. Na √©poca recursos como revista, livros e internet, assim como o contato com os artistas mais experientes, era muito restrito.

    Embora quase sempre tida como contravenção, muitos grafiteiros famosos trazem em sua história, assim como você, a prática da pichação. O que tem a nos dizer sobre isso?

    Opini√Ķes diversas tamb√©m s√£o geradas no meio art√≠stico dos grafiteiros; uma delas √© que a picha√ß√£o n√£o deixa de ser uma arte, um estudo, apesar do r√≥tulo de vandalismo como assim entende a sociedade. Particularmente n√£o defendo o ato, mas sim o estudo a esse respeito. Como voc√™ mencionou, grafiteiros famosos tiveram essa pr√°tica, e ainda hoje conhe√ßo muitos que a adotam. Nos anos 80 e 90, podemos dizer que quase todos os grafiteiros tiveram esse contato com a picha√ß√£o como ato de protesto; j√° nos dias de hoje notamos que a maioria dos artistas que est√£o se inserindo nesse meio, quase nunca tiveram essa experi√™ncia; grande parte dos novos artistas surge de oficinas, eventos nos quais eles se deslumbram n√£o pela picha√ß√£o mas sim pelo grafite como arte e forma de ganhar a vida.

    Sabemos que realiza projetos de grafite para prefeituras. Qual a raz√£o desses projetos e como acontecem?

    Antes n√£o gostava muito de trabalhar para prefeituras, pois em geral nos propunham servi√ßos que apenas davam visibilidade, sem haver uma preocupa√ß√£o com a qualidade e a forma√ß√£o das pessoas. Com o passar do tempo e tendo esses projetos como uma fonte de renda, pensei em continuar fazendo, mas dentro de uma proposta que n√£o entrasse em conflito com a minha vis√£o e os meus objetivos; foi uma ‚Äúbriga‚ÄĚ muito grande conseguir mostrar que desses projetos podem sair pessoas com dons surpreendentes, sejam eles art√≠sticos ou at√© mesmo pol√≠ticos. O meu objetivo maior com esses projetos √© proporcionar √†s pessoas um aprendizado atrav√©s da viv√™ncia¬†desse recurso,¬†lembrando que¬†sempre nos deparamos com crian√ßas que dificilmente teriam algum contato com esse tipo de arte. N√£o gosto de formar opini√£o, mas sim de auxiliar essas pessoas a desenvolverem suas pr√≥prias opini√Ķes, j√° que grande parte do nosso p√ļblico alvo s√£o crian√ßas e adolescentes.

    E como se manifesta a receptividade dos alunos na prática do grafite através de oficinas nas escolas?

    Trabalhar com crian√ßa √© uma forma de voc√™ esquecer problemas pessoais, esquecer d√≠vidas rss, e algumas outras dificuldades. Uma grande parte das escolas de Volta Redonda tornou-se adepta a disponibilizar isso para as crian√ßas; n√£o posso responder o retorno que cada escola tem com os projetos, por√©m o meu retorno √© cada dia diferente, √© vibrante, √© de orgulho em saber que crian√ßas saem de casa para simplesmente brincar e aprender na aula do tio do grafite. Trocar conhecimento com esse p√ļblico √© uma coisa que fortalece cada dia mais o meu conceito sobre arte e sobre o meio em que vivo. Quando vamos apresentar o projeto para as crian√ßas, de cada 30 alunos dentro da sala de aula, 31 querem participar das aulas; acho que isso responde um pouco, certo? rss. Claro que cada aluno absorve o que quer e da forma que ele quer, embora a apresenta√ß√£o did√°tica seja igual para todos, mas √© muito gratificante ver o retorno de cada projeto.

    Considerando o preconceito que ainda há em relação a essa arte. Como você lida com isso?

    Quando eu comecei a grafitar em Volta Redonda no ano 2000, em qualquer muro que eu estivesse trabalhando era sujeito a repressão de policiais e até de alguns moradores. Já tive que apagar muito trabalho pronto, e é um gasto muito grande de material, que é caro e quase sempre sai do nosso bolso. Depois de alguns anos, o grafite foi tomando um rumo diferente na cidade, a maioria das pessoas que passa por nós na rua na hora em que estamos trabalhando, observa e diz: РOlha os meninos do grafite ali! Ainda ouvimos alguns dizerem que são os pichadores, mas isso está mudando, já não é a grande parte, pelo menos aqui na região. No dia 26/05/2011 foi publicado no diário oficial da união uma Lei sancionada pela presidente Dilma Roussef que diferencia a pichação do grafite, o que foi uma boa conquista.

    O grafite para voc√™ √© uma paix√£o que se tornou um of√≠cio. Como o mercado recebe esse ‚Äúproduto‚ÄĚ na atualidade? Em que segmentos ele √© mais requisitado?

    Hoje o grafite dita moda, seja ela t√™xtil, seja com exposi√ß√Ķes, ou como decora√ß√£o de ambientes. Muitos trabalhos v√™m sendo desenvolvidos por grafiteiros; grandes empresas est√£o trabalhando em parceria para fornecer ao p√ļblico aquilo que ele mais consome. Alguns artistas, de Volta Redonda, sa√≠ram e foram morar na capital por conta de trabalho; desenvolveram estampas para empresas como CANT√ÉO, RESERVA, TACO, entre outras. Eu ainda n√£o tive o interesse e a oportunidade de trabalhar com essa √°rea t√™xtil em grandes empresas; tive apenas alguns trabalhos realizados para a CLARO TELEFONIA, com a cria√ß√£o de adesivos para celular. Hoje, aqui e em outros pa√≠ses, o segmento mais requisitado √© o t√™xtil; cria√ß√£o de estampas para camisas, cal√ßas, meias, casacos, t√™nis, chuteiras, chinelos e outros.

    Que materiais vocês habitualmente utilizam?

    Spray ‚Äď Tinta l√°tex ‚Äď Rolo de pintura

    Tratando-se de uma prática aplicada em superfícies (paredes, muros, etc.) que geralmente pertencem a outras pessoas; como se processa a permissão ou concessão de uso?

    Conversando… Chegamos a uma determinada resid√™ncia com um muro que nos agrade e oferecemos nossa pintura. Alguns anos atr√°s era quase imposs√≠vel conseguir um muro para pintar, hoje √© quase tudo mais acess√≠vel; alguns j√° nos relataram que ficavam contando para pedirmos o muro deles.

    Como prefere executar seus trabalhos, em grupo ou individualmente? Por quê?

    Prefiro trabalhar em grupo, pois a atividade compartilhada acrescenta conhecimento; trocamos informa√ß√Ķes o tempo todo; refor√ßa os v√≠nculos de amizade e nos diverte.

    O que mais inspira o seu processo de criação?

    Cor e forma; gosto de elementos ornamentais e abstratos. Gosto de estudar Art Nouveau, e sempre ler obras de artistas nacionais; gosto da forma cultural que Carybé retrata seus trabalhos, gosto da composição de formas da Tarsila do Amaral.

    Nos trabalhos em grupo como se d√° a escolha do tema a ser abordado?

    Se d√° no dia e na hora… rss; vai de acordo com o que cada artista possui de material no momento, a√≠ sim propomos um tema em conjunto. Na maioria das vezes usamos um repert√≥rio de cria√ß√£o individual, cada um pensa no seu trabalho, por√©m pensando tamb√©m nos recursos que o outro artista possui. √Č dif√≠cil propormos um tema grande e antecipadamente por conta de material; spray √© muito caro, e produzir uma tem√°tica leva tempo e muito gasto, em geral custeado por n√≥s mesmos.

    Muito obrigada pela entrevista, Tommy! Parabéns a você e aos seus colegas pelo belíssimo trabalho que nos apresentam.

    Vá ao www.pessoabonita.com.br e visite a exposição!

    * Para ler e postar comentários, clique sobre o título.

  • B√°rbara Arag√£o – Escritora e Artista Pl√°stica

    Data: 29/04/2011 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 10

    B√°rbara Arag√£o Couto tem 24 anos, mora na cidade de Niter√≥i, Estado do Rio de Janeiro – Brasil, √© advogada e atua na √°rea tribut√°ria. Sempre dedicada √†s artes e apaixonada pela leitura, passou a inf√Ęncia no atelier do pai, entre pinturas e esculturas.

    Sensível, inteligentemente eclética, e muito estudiosa, participou de diversos cursos, aperfeiçoando-se tecnicamente e mergulhando cada vez mais na prática literária, com ênfase nos contos e na poesia.

    Ispirando-se nas obras de Pablo Neruda, Carlos Drumond de Andrade e Felipe Couto, não demorou a construir sua marca, onde cada vez mais letras e imagens se aliam numa prodigiosa conspiração poética.  

    Em primeira exibição fora do seu blog, temos o orgulho de expor seus trabalhos na Galeria de Arte do www.pessoabonita.com.br. 

    Um privil√©gio acompanhar os seus passos…

    ¬†…Um grande prazer B√°rbara,¬†ter voc√™¬†no nosso site. Sempre garimpando preciosidades, voc√™ foi um valioso achado. Obrigada! ¬†

    Obrigada digo eu, fico muito satisfeita de podermos fazer essa exposição! 

    Pegando a ponta da sua história, quando e onde você nasceu? 

    Nasci em Barra Mansa, em 1986, e vivi aqui até os 18 anos, quando me mudei para Niterói para fazer faculdade. 

    Como teve início o seu interesse pelas artes? 

    Meu pai pintava quadros e fazia muitas esculturas. Quando eu era pequena, ele tinha um atelier enorme ao lado da nossa casa, que tinha uma quantidade interminável de objetos feitos com diversos tipos de materiais. Falo que lá em casa não existia lixo, existia matéria prima. Cresci vendo isso e vi que gostava. Acho que está um pouco no sangue também, rs. 

    Tendo então como cenário o ambiente do atelier, fale-nos um pouco da sua experiência ao lado do seu pai, também artista plástico. 

    Eu passava muito tempo l√°, aprendi a pintar e j√° me arrisquei com esculturas tamb√©m, mas sempre gostei mais do desenho, que pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar. Acho que √© uma forma de expressar emo√ß√Ķes e pontos de vista sobre o mundo. Fazer isso de uma forma r√°pida, em qualquer lugar, torna o resultado mais fiel ao que se quer passar.¬†¬†

    E como foi transitar precocemente pelas p√°ginas da literatura; quais as primeiras impress√Ķes marcadas nesse trajeto?¬†

    Ah, eu levava livros para todo lugar que ia. A literatura não tem limites, dá para viver de tudo e conhecer coisas que a gente nem sabia que existia. Pode-se viver um romance, um homicídio, um drama, basta ter um livro bom na mão. Como eu era bem quietinha, aprendia mais com a leitura que com a experiência. Neste ponto, um autor muito importante foi o Paulo Coelho, que mostrava personagens aprendendo as coisas na vivência, na experiência. Hoje ainda amo a literatura, mas tento conciliá-la à vida, deve haver um equilíbrio entre teoria e prática. 

    Sabemos que aos 07 anos de idade nasceu sua primeira poesia. Em que circunst√Ęncia isso ocorreu? Apresente-nos a ela!¬†

    Rs., essa hist√≥ria √© engra√ßada. Era um trabalho de col√©gio da 1¬™ s√©rie, t√≠nhamos que escrever um comercial de venda por telefone, do tipo ‚Äúligue 0800 e adquira j√° sua nova m√°quina de fazer sucos, que tamb√©m √© uma batedeira e pode se transformar em um fog√£o‚ÄĚ, rs. Eu acabei fazendo uma poesia, que foi para o jornalzinho do col√©gio e est√° emoldurada at√© hoje no meu quarto. N√£o costumo mostr√°-la, mas est√° a√≠.¬†

    Trabalhando an√ļncio¬†

    Disque 0800 da alegria. 

    Vende-se tristeza por alegria. 

    Para aproveitar o dia. 

    Disque 0800 da felicidade. 

    Troco pesadelo por sonho. 

    Porque n√£o ag√ľento mais acordar assustada.¬†

    Disque 0800 da união. 

    Compra-se muita felicidade. 

    Porque n√£o ag√ľento mais viver triste.¬†

    Disque 0800 da vida. 

    Procura-se unidade. 

    Pois não sei viver sozinha. 

    De l√° para c√° 17 anos transcorreram. Hoje, aos 24 anos, voc√™ nos apresenta um trabalho maduro, com um estilo bem definido, poeticamente l√ļcido, inteligente, cr√≠tico e emocional. Envolvida nessa constru√ß√£o, como foi transitar pela adolesc√™ncia?¬†

    Essa fase me deu muitos subs√≠dios para definir um modo cr√≠tico de enxergar as coisas e de botar isso no papel. Nesta √©poca eu comecei a ter uma vis√£o cr√≠tica das coisas e escrevia para contestar as religi√Ķes e a sociedade. Agora tenho uma postura menos radical e, mesmo com cr√≠ticas, procuro ver um lado bom nas situa√ß√Ķes. Vi que d√° para escrever sobre coisas leves tamb√©m. Hoje em dia os poemas que mais gosto s√£o esses.¬†¬†¬†

    E de onde vêem suas influências, suas principais fontes inspiradoras? 

    Gosto da intensidade de Pablo Neruda e de um livro do Carlos Drumond de Andrade que se chama ‚ÄúAmar se aprende amando‚ÄĚ. Pra mim, o amor √© a fonte de tudo e √© sempre bom escrever sobre ele. Tirando esses cl√°ssicos, tenho um apre√ßo pelo poeta Filipe Couto, que vem com uma poesia suave, o que n√£o se v√™ muito hoje em dia.¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†

    Apresentando o seu trabalho a um dos nossos consultores -¬†Ernani de Melo Mazza -¬†professor de portugu√™s e literatura, assim ele reagiu: ‚ÄúN√£o sei o que √© melhor, se as poesias ou as ilustra√ß√Ķes. Fiquei louco com os desenhos e gostei imensamente das poesias‚ÄĚ. E finalizou com a pergunta que lhe repasso: ‚ÄúPara voc√™ o que √© mais prazeroso, escrever ou ilustrar, j√° que faz as duas coisas t√£o bem‚ÄĚ?¬†

    Ilustrar √© um prazer imenso. Escrever √© uma liberta√ß√£o. Na exposi√ß√£o, as ilustra√ß√Ķes v√™m para aumentar as possibilidades de interpreta√ß√£o das poesias. Para mim, os dois se completam.¬†

    Você cursou a faculdade de Direito na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro. Hoje atua na área tributária. Como se processou essa escolha e como se ajustam a poesia e as artes plásticas dentro desse contexto? 

    Penso que todo ser humano √© plural, tem v√°rios lados. Hoje em dia se fala muito em especializa√ß√£o, o que √© √ļtil, mas acaba prejudicando o desenvolvimento do individuo. Acho que √© preciso conciliar dom, vontade e necessidade, mesmo que em √°reas diferentes. N√£o consigo entender a figura fordista do homem que s√≥ prega parafusos. √Č desperd√≠cio.¬†

    Numa √©poca em que impera a superficialidade e o individualismo, ‚ÄúPessoa Bonita‚ÄĚ assegura que pessoas melhores fazem o mundo melhor, e investe nesse sentido. O que seu olhar l√ļcido e po√©tico tem a nos dizer sobre isso?¬†

    Acho o trabalho do site muito interessante, além de inovador. De fato, trabalhar para melhorar as pessoas tem efeitos concretos na sociedade. O mundo é o que nós somos, em conjunto. Não dá para ser egoísta a ponto de não evoluir ou a ponto de não compartilhar conhecimento. A gente cresce junto. E só assim.

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  • VISITAS MUSICAIS: TOQUES DE VIDA.

    Data: 18/02/2011 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 1

     

    Larissa Albertassi Dalrio √© enfermeira, e mais uma pessoa bonita no sentido pleno da palavra. Demonstra compet√™ncia, empatia e afetividade, qualidades que esperamos encontrar nos profissionais que nos auxiliem, direta ou indiretamente, em circunst√Ęncias que ameacem a nossa vida, ou a vida de algu√©m que nos seja muito caro. Quem conhece boa parte dos ambientes das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), sabe do que¬†falo. A motiva√ß√£o do convite para essa entrevista parte do reconhecimento dessas qualidades em alguns preciosos profissionais, algumas aben√ßoadas ‚ÄúLarissas‚ÄĚ, que atuam nessas unidades.¬†¬†

     

    Ela nasceu em Volta Redonda, Rio de Janeiro, há 27 anos. Estudante de uma escola do município participou ali da primeira turma de violino dirigida pelo professor e maestro Nicolau Martins de Oliveira. Um grande aprendizado, dos sete aos quatorze anos, somado às aulas de pífaro e canto. 

    Completou o¬†curso t√©cnico de enfermagem e em seguida o superior, formando-se em 2007.¬†No trabalho de conclus√£o do curso abordou o tema¬†“A Visita Musical como Estrat√©gia Terap√™utica no contexto de uma Unidade de Terapia Intensiva”.¬†Esse belo trabalho norteou nossas perguntas. Leia!

     

    Seja bem vinda Larissa!¬†A VISITA MUSICAL COMO ESTRAT√ČGIA TERAP√äUTICA NO CONTEXTO DE UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA… Um t√≠tulo atraente. O que a inspirou na escolha do tema?

    Sempre estive muito ligada √† m√ļsica, mesmo atuando na √°rea da sa√ļde.¬†Trabalho h√° oito anos em uma Unidade de Terapia Intensiva e¬†fico muito envolvida com o sofrimento do Ser ao qual estou prestando cuidados. Com isso sempre pensava em meios que pudessem amenizar um pouco esse sofrimento.¬†Nunca havia me imaginado utilizando a m√ļsica como um caminho, at√© que na faculdade chegou o momento de apresentar o trabalho final; atrav√©s de conversas com amigos fui amadurecendo a id√©ia.

    √Č comum tratarmos usu√°rios de servi√ßos na √°rea da sa√ļde como ‚Äúpacientes‚ÄĚ. No seu trabalho voc√™ os identifica como ‚Äúclientes‚ÄĚ. Qual a raz√£o?

    A modernidade est√° sempre presente nos termos de enfermagem. O termo paciente, em sua utiliza√ß√£o cotidiana, apresenta uma concep√ß√£o¬†em que a pessoa atendida √© vista mais como um objeto do que como o sujeito. Se formos olhar no dicion√°rio, uma das defini√ß√Ķes para paciente √©: Aquele que sofre sem reclamar. Assim, tenho que ter em mente que estou cuidando de um cliente consumidor e que acima de tudo √© um ser humano que tem vontades, desejos e sonhos.

    O que a fez optar por uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) como ambiente para a realização do trabalho?

    Optei pela UTI não apenas por trabalhar nesse setor, mas por saber que é um setor crítico, fechado, onde o ser humano é separado de todo o seu cotidiano para que possa ser tratado.

    O cuidado humano implica na interação com o outro (cliente/paciente) abordando-o como ser e não como objeto, entretanto frequentemente essa abordagem ocupa um plano secundário ou inexiste, colocando-se como prioridade o atendimento técnico e os deveres administrativos. Como você avalia essa questão?

    Este √© um ponto muito importante, pois √© necess√°rio que tenhamos profissionais comprometidos com a vida, mais intimamente com o ser que ali se encontra, e n√£o apenas com a doen√ßa que ele apresenta.¬†O profissional da enfermagem √©¬†que mais tempo passa com o cliente, da√≠ a import√Ęncia da sua conscientiza√ß√£o sobre um cuidado que vai muito al√©m da t√©cnica, est√° tamb√©m na intera√ß√£o com o outro.

    No in√≠cio do seu trabalho voc√™ salienta que ‚Äúao hospitalizar-se a pessoa rompe com seu elo social e familiar atuante, para se colocar passivo (paciente) dentro do novo ambiente‚ÄĚ. Que argumentos justificariam a m√ļsica com finalidade terap√™utica como um dos caminhos para se restabelecer esse elo?

    A m√ļsica vem sendo utilizada em v√°rios momentos da nossa¬†hist√≥ria, desde os prim√≥rdios da humanidade, com finalidade terap√™utica. Ela pode ser considerada um importante meio de comunica√ß√£o/intera√ß√£o entre profissional e cliente, pois proporciona um ambiente agrad√°vel e saud√°vel, fazendo com que o foco n√£o esteja restrito √† doen√ßa. O cliente se sente valorizado como ser humano.

    O objeto do seu estudo é o impacto que a visita musical causa ao cliente internado em um ambiente de UTI. Qual o impacto produzido nas equipes atuantes nesse contexto; foi possível fazer essa avaliação?

    Sim. Ao realizar o estudo, todos (m√©dicos, t√©cnicos e outros profissionais) ficavam observando. O interessante √© que nas visitas musicais onde era utilizado o violino, a m√ļsica tocada era apreciada por todos. Sinto que a equipe sentia um pouco do que o cliente sentia, ou seja, eles sentiam uma atmosfera familiar e n√£o apenas a tens√£o do servi√ßo. √Č poss√≠vel fazer um estudo sobre o impacto das visitas musicais para o profissional de uma UTI. Tenho certeza que os resultados ser√£o fant√°sticos e a visita ser√° produtiva.

    O uso da m√ļsica com finalidade terap√™utica n√£o √© uma abordagem nova. Qual a primeira documenta√ß√£o que se tem a esse respeito?

    Plat√£o e Arist√≥teles seriam os precursores da m√ļsica terap√™utica, ao falarem e receitarem m√ļsica; dizendo que ela n√£o havia sido dada ao homem com o objetivo de afagar seus sentidos, mas sim para acalmar os transtornos da sua alma. Caminhando pela hist√≥ria encontramos relatos de que os eg√≠pcios a utilizavam, e todos os autores citam tamb√©m a passagem b√≠blica da m√ļsica curativa que era efetuada por Davi diante do rei Saul.

    Quais os cuidados que se deve ter na introdução desse recurso num ambiente de UTI?

    √Č importante observar a particularidade e a aceita√ß√£o de cada cliente. Tem que ser respeitada a sua vontade, pois¬†ele pode n√£o aceitar as visitas musicais. √Č necess√°rio pesquisar cada cliente e fam√≠lia para saber seu gosto musical, e o mais importante, para que essa visita seja terap√™utica deve ser sucinta, evitando o estresse e o cansa√ßo.

    Quais foram os instrumentos musicais utilizados na sua pesquisa?

    Em alguns clientes, geralmente os que gostam de m√ļsicas mais cl√°ssicas, o instrumento utilizado foi o Violino, por eu j√° saber toc√°-lo. E utilizei tamb√©m um aparelho de mp3 em outros clientes.

    Que par√Ęmetros foram utilizados para a an√°lise dos resultados?

    Para os clientes l√ļcidos, a an√°lise dos dados foi dividida em 5 categorias:

    1ª РA sensação da internação em uma UTI.

    2¬™ – Os inc√īmodos presentes no ambiente de uma UTI.

    3ª РAs visitas musicais na UTI.

    4ª РO pensamento presente no momento da visita musical.

    5¬™ ‚Äď A an√°lise dos sentimentos trazidos pelas visitas musicais.

    Para os clientes sem possibilidade de resposta verbal ou em coma, os par√Ęmetros analisados foram os sinais vitais e a observa√ß√£o.

    Que conclus√Ķes foram extra√≠das dessa experi√™ncia?

    Atrav√©s das entrevistas coletadas foi revelado o potencial que a m√ļsica tem de estimular os clientes, promovendo um momento l√ļdico no ambiente hospitalar, proporcionando assim relaxamento e bem estar,¬†podendo deix√°-los menos propensos a criar conflitos, al√©m de proporcionar uma maior integra√ß√£o entre eles e o ambiente. Foi poss√≠vel observar altera√ß√Ķes consider√°veis atrav√©s de alguns sinais vitais, como n√≠veis de press√£o arterial e satura√ß√£o de oxig√™nio. Principalmente nos clientes n√£o responsivos, onde a observa√ß√£o se fez relevante, ao observar o semblante de cada cliente, trazendo-o de um per√≠odo de prostra√ß√£o e inserindo-o no ambiente.

    A direção do hospital teve acesso aos resultados?

    Sim

    Em nossa regi√£o (Sul Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, Brasil) algum hospital j√° adota esse recurso?

    N√£o.

    Considerando-se os bons resultados obtidos, o que seria necessário para a adoção e/ou ampliação dessa prática nas UTIs?

    Conscientiza√ß√£o e amor s√£o as palavras chave, a meu ver. Hoje em dia vemos que os hospitais pensam de forma mais humanizada, pois encontramos v√°rias UTIs que j√° possuem o apoio emocional atrav√©s dos psic√≥logos. Isso √© um progresso important√≠ssimo dentro de uma UTI. Mas √© importante ressaltar que a m√ļsica terap√™utica ainda n√£o foi t√£o divulgada, existe um caminho ainda bem longo para trilhar. √Č necess√°rio que os profissionais se interessem pelo assunto, busquem, estudem, pois todo o esfor√ßo ser√° significante diante da satisfa√ß√£o de prestar o cuidado em forma de m√ļsica aos clientes. N√£o h√° nada melhor para a enfermagem do que um sorriso como parte de um agradecimento.

    √Č f√°cil Larissa,¬†dimensionar¬†a import√Ęncia do tema. Assim, queremos refor√ßar nosso agradecimento por nos permitir colocar no site, em pdf, a √≠ntegra do seu trabalho. Esperamos que continue firme na difus√£o dessa experi√™ncia e que num futuro pr√≥ximo nos apresente sua evolu√ß√£o. Boa sorte!¬†¬†

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  • Antonio Jos√© Moura CALINO (fot√≥grafo)

    Data: 12/08/2010 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 10

    CALINO √© o artista que agora exp√Ķe em nossa galeria de arte. Pedi que¬†enviasse um pequeno hist√≥rico sobre sua carreira para que fiz√©ssemos uma breve apresenta√ß√£o. A inten√ß√£o era, posteriormente, fazer uma entrevista.¬† Ent√£o me enviou uma carta; simples e direta como bem sabe ser. Entrevista para que? Veja!

    Oi amiga, conforme seu pedido, vamos l√°:

    CalinoIniciei na fotografia como hobby, quando adolescente e aluno do Col√©gio Batista, ali na Rua 24, em Volta Redonda, Rio de Janeiro, Brasil. Sabe aquela hist√≥ria da crian√ßa que quer ter um brinquedo igual ao do colega? Pois √©! Havia dois colegas que j√° fotografavam nas in√ļmeras excurs√Ķes e atividades que o col√©gio realizava, e eu ficava desejoso de tamb√©m “brincar” de fotografia… Eram eles Ulisses Barroso Filho (hoje m√©dico), e o filho do reitor, Walter Mc`Neally Jr (que se tornou fot√≥grafo especializado em publicidade, com est√ļdio em Nova York). N√£o sei se ainda continua na ativa.

    Com a ajuda dos meus pais e av√≥s adquiri minha primeira maquininha, e j√° “enturmado” com os dois colegas realizei meu sonho de crian√ßa, filiando-me posteriormente ao Clube Foto Filat√©lico e Numism√°tico de V. Redonda onde al√©m do hobby, passei a desenvolver a fotografia como meio de express√£o art√≠stica. L√° fui diretor por muitos anos e acabei assumindo o papel de professor de fotografia nos cursos b√°sicos mantidos pelo clube.

    Como a fotografia era (é) um esporte caro, eu como bancário (era minha profissão) tinha dificuldades em manter o hobby; então gradativamente comecei a comercializar pequenos serviços, como fotografar aniversários, casamentos, etc.

    Naquela √©poca n√£o havia escolas de fotografia e o grupo que eu frequentava era igualmente limitado nos conhecimentos t√©cnicos; mas por correspond√™ncia tive um grande mestre, chamado Paulo Pires da Silva, de S√£o Carlos-SP, que desde 08 de mar√ßo de 1960 (sim, tenho TODAS as cartas), passou a ser meu professor atrav√©s das trocas de correspond√™ncias: eu perguntava e ele respondia… rss. ¬†Ele, que era professor na faculdade de S√£o Carlos, certamente foi o fot√≥grafo amador mais premiado no Brasil em sal√Ķes fotogr√°ficos nacionais e internacionais; nunca se dedicando √† fotografia profissional.

    E, experimentando aqui, perguntando ali, velando filmes e queimando papéis fotográficos, deu essa figura que o resto você já sabe.

    Est√° bom ou quer mais?

    Calino.

    Membro do Clube Foto Filatélico Numismático de V. Redonda РCFFNVR Membro da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema РCBFC

    Membro da Federation Internacionale de L‚ÄôArt Photographique (FIAP ‚Äď entidade reconhecida pela UNESCO), situada na cidade de Berna – Su√≠√ßa, onde conquistou o T√≠tulo Honor√≠fico Internacional.

    Principais Participa√ß√Ķes e Premia√ß√Ķes:

    -X Bienale FIAP em Bordeaux-France -IV Int. Foto Club Salon em Viena-√Āustria

    -Medalha de ouro no V Sal√£o FAB – Portugal

    -Prêmio de Melhor Obra Estrangeira no I Salon Sudamericano de Matanza-Argentina

    -Medalha de Bronze no 1¬į Sal√£o Nacional da Soc. Brasileira de Belas Artes-Rio de Janeiro, Brasil.

    -Medalha de Ouro no 6¬į Sal√£o do Museu de Arte Contempor√Ęnea em Campinas, S√£o Paulo, Brasil.

    -Dezenas de outros pr√™mios, medalhas, trof√©us e men√ß√Ķes honrosas em participa√ß√Ķes de Sal√Ķes Fotogr√°ficos nacionais e internacionais.

    Exposi√ß√Ķes Individuais:

    -O Barroco Mineiro -Barroco Mineiro

    - Olhar e Vertigem

    -O Quebra Nozes

    -New York City – 45 imagens.

    -Fantasias

    -Viagem ao Centro da Terra

    Visite a exposição em www.pessoabonita.com.br

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  • Lavinia Cazzani (cantora-compositora)

    Data: 02/07/2010 | Categoria: Entrevistas | Coment√°rios: 2

     

    PB-¬†√Č um prazer falar com voc√™ Lav√≠nia, e uma honra ter acesso √† riqueza dos seus trabalhos.¬†A entrevista √© uma forma de atender um pouco a nossa curiosidade e poder compreender melhor suas obras. Voc√™ vivia em um ambiente musical?

    LC- Sim, vendo minhas primas tocando piano, fiquei encantada, e resolvi come√ßar a aprender m√ļsica.

    PB- Houve alguém ou algum fator responsável pelo desabrochar da sua vocação?

    LC- N√£o. Foi iniciativa pessoal.

    PB- Quando teve início sua produção artística?

    LC- Em 1984.

    PB- Al√©m da m√ļsica, sua forma√ß√£o se estende para outras √°reas?

    LC- Sou formada em Psicologia pela Universidade Gama Filho.

    PB- O que resultou do conjunto dessa formação? Em que medida a Psicologia influenciou o seu desenvolvimento musical?

    LC- O estudo de Psicologia não influenciou meu desenvolvimento musical. Foram momentos estanques na minha trajetória profissional.

    PB- Quais foram as pessoas que tiveram maior influência na sua formação?

    LC- Flávio Paiva, professor particular de Percepção Musical e Piano; Edu Morelembaum, professor de Piano; João Carlos Assis Brasil, professor de Composição.

    PB- Jo√£o Carlos Assis Brasil a define como uma compositora de forte personalidade e originalidade; dizendo que seu estilo vai do jazz√≠stico √† vanguarda. O que motiva suas cria√ß√Ķes e o que determina sua tend√™ncia musical?

    LC- Minha for√ßa criadora adv√©m, fundamentalmente, da M√ļsica Impressionista de Debussy.

    PB- M√£e do Redentor, de extrema delicadeza, √© sua √ļltima produ√ß√£o fonogr√°fica, revelando inspira√ß√£o religiosa sobre can√ß√Ķes sacras de sua autoria. De que forma a religiosidade vem influenciando suas produ√ß√Ķes?

    LC- De 2006 at√© hoje, como um chamado de inspira√ß√£o religiosa, criei dezenove composi√ß√Ķes sacras para Maria Sant√≠ssima, motivadas pela minha pessoal devo√ß√£o mariana.

    PB- Duas de suas m√ļsicas foram inclu√≠das na novela ‚ÄúO Cravo e a Rosa‚ÄĚ, na Rede Globo. Quais foram essas m√ļsicas e em que medida essa exposi√ß√£o influenciou na divulga√ß√£o do seu trabalho?

    LC- As can√ß√Ķes foram ‚ÄúHeidelber‚ÄĚ e ‚ÄúFais√£o‚ÄĚ, todavia n√£o houve desdobramentos dessa exposi√ß√£o.

    PB- E como é aparecer como verbete no dicionário de Ricardo Cravo Alvim (página 228)?

    LC- √Č para mim motivo de grande orgulho.

    PB- Para a exposição que brevemente exibiremos em nosso site www.pessoabonita.com.br , escolhemos o CD Brasilianas. Conte-nos um pouco sobre a história dessa produção.

    LC- Brasilianas representa uma colet√Ęnea de composi√ß√Ķes instrumentais produzidas anteriormente, selecionadas de acordo com crit√©rios de influ√™ncias composicionais, a exemplo de Budapest, Exerc√≠cio Modal, Nicodemus e Heidelberg como representa√ß√Ķes impressionistas.

    PB- Obrigada por nos conceder essa entrevista Lav√≠nia. Certamente essa preliminar nos deixar√° mais pr√≥ximos de ‚ÄúBrasilianas‚ÄĚ.

    Até breve então, e um grande abraço.

    Conheça um pouco mais sobre a cantora e compositora Lavinia Cazzani no site http://www.dicionariompb.com.br/lavinia-cazzani

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